Sexta-feira, Janeiro 16, 2009

Aventuras de El Bulli

Aqui há dias, estava eu como é meu hábito ao sábado de manhã a ler o Expresso na cozinha do Ferran Adria - gosto de ver o rapaz cozinhar e aqui para nós, ele precisa das minhas ideias... - quando vi uma notícia que me deixou pasmado: "Prostituição de Leste diminui 30% em 2008"

- Ó Ferran, tu já viste isto?! Então mas está tudo louco...? Querem acabar com o putedo de qualidade...
- Tragus, é a crise... Toca a todos.
- A todos?! Tem juízo pá... A mim não me tocou ainda nada... Só aquela moldava de ontem... Ouve lá, aquele barzito que me levaste ontem... é todo catita.
- Sim, é o melhor aqui de Girona.
- Pois... E a moldava também era bem Girona...
- Girona?!
- Sim... É a mistura entre ser giraça e boa de c...

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- Olha, é o microondas...
- Microondas?! Então mas tu cozinhas com microondas?! Que desilusão...
- Claro... É a lasanha para o meu almoço... É do Capitão Iglo.
- Do Capitão Iglo?! Mas que raio...
- Só há no mundo um cozinheiro melhor que eu... O Capitão Iglo.
- Ó Ferran, aqui para nós: o Capitão Iglo não existe... É só uma marca.
- O quê?!?! O Capitão Iglo não existe?!?! Mas... E eu que todos estes anos o vi como o meu guru... Durante anos e anos procurei os segredos da sua receita de bacalhau à brás... Diz-me que não é verdade, Tragus!! Diz-me !!!
- Digo-te o quê?
- Que o Capitão Iglo existe... Diz-me que ele é real...
- Pronto... pronto. Estava a brincar, ele é real.
- Ah bom... Eu sabia.
- Só que foi detido no seguimento do processo Casa Pia... Ou tu achavas que aqueles anúncios com crianças num navio nos mares do sul iam passar despercebidos à Maria José Morgado?
- Irra... Essa mulher vai a todas...
- Pois vai. Mas já estou a ficar aqui com uma larica... o que é que há para comer?
- Bom... Estou aqui a acabar um Parfait de Foie embebido em Roquefort com mel das Astúrias e maracujá critalizado. Se quiseres...
- Estás a fazer o quê?! Isso não me dá nem para a cova de um dente... Faz-me mas é uma tosta mista. E rápido.
- Uma tosta mista, Tragus?! Eu não faço essas coisas... Eu sou o melhor cozinheiro do mundo. Sou o mago da cozinha.
- Pois és... E hoje vais ser o mago da tostinha... ou já te esqueçeste quem é que te emprestou dinheiro para montar esta espelunca a que chamas restaurante?
- Pronto pronto... Já não está cá quem falou. Eu faço-te a tosta.
- Óptimo... E põe uma dose extra de queijo... Tu não és propriamente conhecido pelas doses avantajadas...
- Caramba, que ideia que as pessoas tem de mim...
- O quê? Por dizerem que não fazes comida numa cozinha, mas sim num laboratório...?
- Não é de de laboratório... é molécular.
- Ok. Mas olha que a fome com que eu estou preciso de muito mais que uma tosta molécular...
- Pronto. Aqui está...
- O que é isto?!
- É a tua tosta mista.
- Tosta mista?! Eu nem sei se isto é para comer ou um centro de mesa...
- Então mas... é sofisticado.
- Não digas disparates... Tu fazes estas merdas muito rococós, mas sempre que saio daqui fico cheio de fome...
- Mas é uma experiência gastronómica...
- Experiência gastronómica é a dobrada que eu como aos sábados ao jantar para compensar o facto de vir para aqui ler o expresso aos sábados de manhã. Ganha juízo.
- Mas eu sou o mago da cozinha...
- Ai ai ai ai. Mas tu queres parar com essa conversa do mago... Pareces o Mourinho das panelas...
- E sou mesmo.
- Está calado. Tu sabes lá o que é comer... Olha, quando foi a última vez que comeste uma Posta Mirandesa?
- Ó Tragus, eu não gosto de peixe...
- Está calado seu estúpido... Posta Mirandesa é carne e da boa, estás a ouvir?
- Assim como o petit fillet mignon marinado em infusão de azeite de huesca e armagnac que eu faço?
- Não digas disparates... Uma posta mirandesa é meia vaca na brasa.
- Meia vaca?!
- Sim. Tens uma vaca, cortas ao meio... A parte da esquerda é uma posta mirandesa e a parte da direita... também é uma posta mirandesa.
- Isso não me parece ser muito sofisticado.
- Lá estás tu!! Mas quem é que disse que isto era suposto de ser sofisticado... O que é que a sofisticação tem a ver com comida? Sofisticação é... olha, é usar papel higiénico preto... como aquele da Renova.
- Já usei é muito giro.
- Mas que estúpido... Não é giro, é sofisticado. Nunca mais aprendes.
- ...
- Bom... bom. Estou a ver que tenho que te ensinar tudo. Deixa lá aí o microscópio e veste um casaco, vens comigo dar uma volta.


Lá peguei no Ferran e levei-o até ao aeroporto de Barcelona, onde o falcon do primeiro ministro esperava por mim na pista. Isto agora com o Sócrates é mais fácil de conseguir o avião do que com o Santana Lopes. Só tenho que dizer que sou da Mota Engil e já está... Dão me logo o avião para as mãos e nem estrebucham.

- Agora senta-te aí quietinho no teu lugar que isto vai arrancar.
- Arrancar?! Esta carcaça? Eu pensava que este avião era uma peça de museu... Mas isto é seguro?
- Calma, que quem faz a manutenção do Falcon é a Air Luxor...
- A Air Luxor, mas isso não é aquela companhia portuguesa que faliu há uma série de anos?
- Exacto.
- Então mas... e é seguro?
- Seguríssimo. Por arames... mas é seguríssimo.
- Ai meu Deus... Acho que vou vomitar.
- É isso, é isso... Vomita. Que para o que vais comer hoje, bem que precisas de espaço no estômago.

Primeira paragem, foi em Madrid.

- Cá estamos. Madrid.
- Ah... Tragus, já percebi. Trouxeste-me a Madrid para irmos almoçar ao Santceloni do meu amigo Santi Santamaria. Que agradável... Mas ainda assim deixa-me avisar-te que ele só tem 2 estrelas michelin e eu tenho 3.
- Vá. Vamos apanhar um táxi. Olha ali está um... Táxi!! Boa tarde é para as Portas do Sol se faz favor.
- O quê? Mas o Santceloni é na Castelhana... Estás enganado.
- Está calado e cala-te. Pronto, já chegamos. Paga aí ao senhor que eu não tenho trocos comigo.
- Então mas onde é que está esse restaurante tão bom? É de um jovem e promissor chef de cozinha...? Eu adoro os jovens e promissores chefes de cozinha, especialmente daqueles que pagam uma pipa de massa para estagiar comigo... Como aquele vosso compatriota, o José Avillez... enquanto lá esteve comigo aprendeu metade dos meus segredos.
- Metade? Porquê só metade..?!
- Aprendeu a metade do ter que pagar bem... Que foi o que ele teve de pagar pelo estágio. Agora a metade do aprender a fazer boa cozinha é que está quieto ó preto...
- Mas olha que não se safou mal, está lá no Tavares Rico.
- Está rico?! Epá... se calhar devia ter-lhe pedido mais pelo estágio.
- Não é isso... Está no Tavares Rico em Lisboa. É o nome do restaurante onde ele está.
- Ah bom... Ok. Então e onde é que está esse tal restaurante a que me trazes?
- Está aqui. É este à nossa frente.
- Este?! Mas isto chama-se... Ab... Abu.. Abuelo.
- Pois.. É o Abuelo. Um dos melhores sítios para picar em Madrid.
- Mas isto é... eu já uma vez li o nome destes sítios numa revista... é uma... como é que se chama? Ai... ajuda-me... já sei. É uma tasca!! É isso tasca...
- Exacto. Vamos entrando. Olá boa tarde, boneca serve-nos aí 2 doses de gambas.
- Gambas?! Como em Souflet de camarão com crocante de queijo gruiere e tempero de café de Bali que eu costumo fazer?
- Não. Como em gambas al ajillo... Toma. Come e cala-te.
- Uhm.
- Gostas?
- Não sei. Isto está a escaldar... Mas não é mau. Se lhe juntasse aqui um pouco de creme de beterraba escandinava e umas trufas negras era capaz de passar como primeiro prato.
- Ó homem, come lá isso... Carmenzita tira aí duas cañas.
- Mas... cerveja? Eu nunca bebi isto...
- E já agora tira aí mais uma dose de camarão... desse maiorzito. Esse mesmo... Que maravilha, olha para isto.
- Então, afinal é assim que é o camarão antes de estar descascado?
- Pois é...
- E como é que eu lhe tiro a casca?
- É assim... Vais tirando o que está a volta, arrancas a cabeça e depois comes o resto...
- Ah!! Então por isso é que eu oiço falar em "Operação Camarão": tiras a cabeça e comes o resto... Eu nunca tinha visto um camarão com casca, como é que eu podia saber?
- Estamos sempre a aprender.
- E o que é que eu faço com as cascas?
- As cascas?! As cascas é para o chão..
- Para o chão?! E posso cuspir também?
- Cuspir não... Mas estou a ver que já estás a entrar no espírito tascóide... Ou então, não estás é habituado a beber cerveja.
- E que mais tragus? Que é que vamos comer agora? É agora que vamos comer a posta mirandesa? A meia vaca na brasa...
- Melhor, Ferran. Anda comigo, vamos pagar e vamos apanhar um táxi... Toma, está aqui a conta. Paga tu, já sabes que eu não tenho trocado.
- 12 euros?! Nunca pensei que fosse possível entrar num sítio para comer e sair de lá pagando só 12 euros...
- Táxi!!! Já parou... Entra Ferran. Diz boa tarde ao senhor.
- Boa tarde.
- Não é isso... É em castelhano.
- Ah... Buenas tardes.
- Olhe é para a Plaza de Tirso de Molina se faz favor...
- " Sempre que brilha o sol naquela praia..."
- Peço desculpa, mas se o seu amigo está bêbado vou ter que lhes pedir para sairem do carro...
- Não não... Ele não está bêbado, está é contente... É que ele é um ferrenho benfiquista e o Benfica ganhou ao Olhanense para a taça da Liga...
- "E ninguém pára o Benfica, e ninguém pára o Benfica.. Alé Ou!!"
- Epá, cala-te que se não ainda arranjamos problemas... Pronto já chegamos, este pago eu. Isto também é mesmo aqui ao lado das Portas do Sol.
- Oba oba... Tanto mulherio...
- Ó Ferran, são empregadas domésticas peruanas...
- E então, vais dizer que é mau?!
- Bom... quer dizer... uma vez conheci uma peruana que enfim... segundo ela, era descendente dos incas e vá lá vá lá... mas regra geral são um bocado reles.
- Então e o que é que viemos aqui fazer?
- Ah... Pois. Vamos ali aquele 1º andar.
- 1º andar?! Uhm... Cheira-me a putedo reles...
- Não... Isso são as peruanas. Vamos ali para comer. No 1º andar fica o Asador El Frontón, um marco na culinária madrilenha...
- Na "CU linária" madrilenha?!
- Não, culinária de comer...
- Comer o quê?
- Carne.
- Lá está... Peruanas, confere.
- Cala-me essa matraca e anda lá embora. Ferran, abre lá a porta e sobe as escadas...
- Xiii... Isto é alto prá caramba!!
- Mas onde é que tu aprendeste a dizer isso?!
- Foi ontem... Lá no bar de copas. Havia lá uma brasileira...
- Aí sim? E porque é que eu não a vi... E que mais te ensinou ela a dizer em brasileiro?
- Ensinou-me a dizer: "Você é um gato... É muito querido." - só não sei o que quer dizer, não percebo português.
- Também não sou eu que te vou explicar, mas dou-te um conselho, se algum dia entrares em algum bar na Chueca não digas isso a nenhum gajo. Pronto, deixa-me lá arranjar uma mesa. "Pepe, como estas? Una mesa para los 2".
- "Besame, besame mucho..."
- Don Tragus, esse seu amigo está com um ar embriagado...
- Não não Pepe... Ele está é feliz porque lhe disseram que vocês aqui tinham o melhor chuleton de buey de Espanha e arredores.
- Uma posta mirandesa!! Eu quero uma posta mirandesa!!
- Uma quê?!
- Não ligues Pepe. Manda é vir chuleton em grande quantidade aqui para a gente. Ferram anda para aquela mesa.
- Don Tragus, o chuleton é como de costume?
- Claro Pepe, tchunq tchunq na grelha e siga para a mesa...
- Certo.
- Quem diria, Tragus. De noite comemos as vacas e de dia comemos o boi! Viva España!!"
- Está calado Ferran que já estás a dar muita cana...
- Noite/Vaca Dia/Boi, faz sentido... Eh... Pepe manda vir a vinhaça!!
- Don Tragus, o seu amigo está claramente embriagado.
- Não está não... É catalão... Os catalães são assim... festivos.
- Aqui está o chuleton.
- Olha para isto Ferran, isto é que é comer!!
- Deixa cá ver... Epá, mas o que é que eu ando a perder!! Mas que maravilha!! Sabes com que é que isto acompanhava bem?
- Com um legumes salteados à la marseillese e vinagre balsâmico da Dalmásia?
- Tás parvo ou quê Tragus?! Isto ia bem é com batata frita!! Pepe, batata frita!!!
- Já vai, já vai...

O almoço continuou por mais 2 horitas. O El Bulli fartou-se de comer chuleton, bebeu uma bela vinhaça e no fim ainda mamou uma crema catalana, só para fazer juz às origens.

Ao fim da tarde regressamos ao aeroporto de Barajas onde estava o falcon e seguimos para Lisboa. A mesa no Solar dos Presuntos estava marcada para as 21h. Ainda bem que em Portugal é menos uma hora...

Beijos e abraços do vosso

Tragusbolis

Quarta-feira, Dezembro 10, 2008

O REGRESSO DO PAI

Dizem que anda aí uma crise... Aaah... parece que o país está a entrar em recessão... Buh... É a deflação. Buh... É o fantasma dos preços baixos...

Mas quais preços baixos?! Qual país?! Aqui onde eu estou em Saigão, o putedo nunca esteve tão inflacionado...

Vocês aí queixam-se que o petróleo está quase a baixar os 40 dólares... Então e eu aqui?! Já não se arranja uma vietnamita decente por menos de 2 dólares...

O petróleo baixa e as vietnamitas não baixam porquê?! Não são elas também um derivado do petróleo? Claro que são... são escuras que nem breu.

A pergunta meu amigos neste momento é:

ONDE É QUE ISTO VAI PARAR ?!


Essa e outras respostas apartir de dia 15 de Dezembro com o regresso do inegualável, do inimaginável, do bombástico (é caralho, o gajo deve ser mesmo bom...):

EU



Nota: era para ter chegado ontem mas este voo baratucho via Bangkok e Bombaim fodeu-me o esquema.

Quarta-feira, Novembro 07, 2007

Viva o Aquecimento Global...

Amigos, há quanto tempo... Não tenho dito nada ultimamente, porque tenho andado com uma vida estupidamente ocupada, que isto de coordenar a presidência da UE não é fácil, como espero que compreendam.

Mas falemos de coisas sérias e importantes para a nossa vida: está calor. O que é que isto tem de novo? Desde Maio que está calor... "E então?" - perguntam vocês - "o que é que isso tem de novo?". Ao que essa mente iluminada que responde pelo nome de "Eu", vos diz: "Já olharam para o calendário?" e vcs: "Epá!! 7 de Novembro!!". Ah pois é, bebé! Já não era tempo de estar assim... E todos nos questionamos: "está aí o aquecimento global?". Espero bem que sim.

Hoje para falar um pouco deste assunto tão actual, convidei um especialista neste e em outros temas. Um amigo desta casa, que nunca diz que não à chamada... Para dizer a verdade é o único que ainda atende a chamada e provavelmente o único convidado que ainda conseguimos trazer cá. Convosco, senhoras e senhores, meninos e meninas, o único e inegualável: Nuno Melo!!

- Olá, Nuno. Uma vez mais bem vindo a esta casa.
- Obrigado, Tragus. Sempre um prazer...
- Nuno, como já deves ter visto estão 26 graus lá fora, o que se transmite em 7 a 8 graus mais quente que a temperatura habitual para a época, achas que isto afecta a cabeça das pessoas?
- Certamente.
- Em que medida?
- As mulheres, as mulheres ficam loucas... Elas acordam de manhã e em vez de vestirem camisolas de gola alta e gabardine, vestem top´s e mini-saias e já se sabe que isso dá a volta a cabeça...
- Delas?
- Não. De nós... Eu quando vejo uma mulher de mini-saia, nem sei de que partido sou... No outro dia vi uma deputada do bloco de esquerda de mini-saia, fiquei tão alterado que até me apeteceu fumar brocas e coisas do género...
- Não é possível... Então e que fizeste?
- Não fiz nada. Fui até ao meu gabinete, bebi um conhaque e ouvi o meu cd do Barry White...
- Muito bem. Então, mas qual é a tua opinião sobre o aquecimento global?
- Gosto.
- Também eu. Não há a nada melhor que este inverno rigoroso... Rigorosamente quente.
- Pois é, daí eu ter lançado mais esta campanha cívica..
- Então?
- Depois do "Sou cabrão, voto não", eu e o Narana, vamos lançar o movimento "O aquecimento global é bestial".
- Fantástico. E em que consiste?
- Consiste em explicar à sociedade que o aquecimento global é uma coisa boa e que deve ser explorado ao máximo...
- Como assim?
- Então, mas há alguma coisa melhor que isto? Antes de mais permite as mulheres andarem todas descascadas, o que já por si só era motivo para isto ser uma coisa boa... Mas tem tabém outras coisas boas, permite estar nas esplanadas de noite, permite fazer beach partys... enfim, toda uma panóplia de coisas.
- Muito bem. Mas não acreditas que o aquecimento global pode ser uma coisa má, no fundo é o que todos os cientistas dizem...?
- Balelas... Não está provado que o aquecimento global faça mal a alguém.
- Então e o ski? O aquecimento global vai dar cabo do ski...
- É verdade, não tinha pensado nisso... Mas decerto que não haverá problema, basta encher as estâncias de neve artificial. Se virmos bem, a única coisa desagradável no ski é quando está frio. Com o aquecimento global isso já não é problema. Já me estou a imaginar em Zermatt a esquiar com o meu pólo da Fred Perry. E mais... Já estou a imaginar a miúdas a esquiar de top e a passarem por aquelas pistas cheias de bossas... eh eh.
- A tua mente lembra-se de coisas incríveis.
- Assim é. Mas há muito mais... Sabes qual é o nosso hino do movimento?
- Não faço ideia... Qual é?
- É o "Rise Up" do Yves Larock...
- Mas porquê?
- Então, está mesmo a dizer: "Rise up. Don´t falling down again..." É óbvio que ele se está a referir às temperaturas...
- Não sei bem...
- Não interessa, eu quero acreditar que sim... E quero o "Rise up" como hino... O que é que tu querias? Só uma música que está na moda é que podia fazer de hino... Querias o quê? O Love Generation?! Já ninguém liga a isso... Já lá vai...
- Pois, tens razão. Então e quais vão ser os eventos previstos?
- Bom, para este fim de semana teremos a abertura da época balnear. Teremos também a festa "The real St.Martin´s Summer Party", ou traduzindo "O verdadeiro Verão de S.Martinho" em que em fez de castanhas iremos servir sushi e ainda, lá mais para o fim do ano o tradicional Barbecue de Natal.
- Muito bem... Bom Nuno, infelizmente vamos ter de ficar por aqui hoje. É sempre um prazer.
- Obrigado, é também um prazer estar aqui.
- E quanto a si caro leitor, por hoje é tudo. Beijos e abcs

Domingo, Julho 22, 2007

Quando o Elefante canta... (Parte II)

Rapaziada, hoje sou forçado a admitir… Não dormi nada esta noite, estou com suores frios desde manhã e ando com um nó no estômago difícil de explicar. “Febre, gripe?” – perguntam vocês. Não senhor, não é nada disso…. A saúde aqui do vosso amigo Tragusbolis é de ferro… Ando assim por causa da nossa convidada de hoje da rubrica “Quando o Elefante Canta”… Estamos prestes a receber aqui nesta casa a cantora com mais sex appel que já alguma vez pegou num microfone (sex appel talvez não seja o termo… é mais, tendência para o sexo desvairado…).


Ela é “O” mulherão dos anos 80, “A” pêga dos anos 90, “A” quarentona mais louca do início de milénio… Convosco, senhoras e senhoras, madames et monsieurs… A ragazza que é uma brasa, a Amália de Itália (não façam caso… é só porque rima)… a grande, a inigualável e inacreditável… Sabrina Salerno!!!


- Ciao Tragus… Così buon essere qui.
- O prazer é todo meu Sabrina… É sempre um prazer receber alguém no nosso programa com peito acima do tamanho 42… Não é para todos
- Grazie.
- Que grande par de tetas que tu tens… Pareces uma vaca…
- Una mucca?
- Sim… “mucca, vaca, cow....” usa a língua que quiseres… em qualquer uma delas és uma verdadeira vaca. Diz-me, que é feito de ti… Para muito boa gente, tu morreste algures nos 80s…
- Tragus, siete così gentili… La veritá è che ancora canto in bars ed in disco...
- Bares e discotecas? Isso cheira-me a putibares, mas enfim…
- Sì ma alcuni sia piuttosto buono…
- Imagino… Devem ser de putedo reles… Assim como tu.
- Grazie.
- Não tens que agradecer… Eu é que agradeço a tua presença aqui… A tua presença e a das tuas amigas: a mama da esquerda e a da direita. Que vieram alegrar o meu dia. Não vamos perder tempo e vamos já passar para a primeira canção da Sabrina…O seu grande e único hit de sempre, convosco Sabrina Salerno em “Boys”
- Tragus, desidero appena dire che sono molto felice di essere qui…
- Pois pois, está bem… Toca mas é lá a cantar q é para isso que eu te convidei… E para ver aí o pudim danone a saltitar… Sabrina Salerno.








- Não tenho palavras para descrever o que vi. É surreal… Que talento meu Deus…
- Grazie.
- Diz-me onde foi gravado este vídeo?
- Portogallo
- O quê?! Tu gravaste isto cá e eu não estava lá… Onde foi?
- Albufeira…
- Albufeira?! Meu Deus, que falha imperdoável…
- Nessun problema… Posso farvi lo stesso film per... Nella vostra dressing room… Che cosa pensate? You sexy machine…
- Já está comos os do rap dos matarruanos… “Olá. Mas que é isto?!”
- Sono nell'umore per amore... solo perchè lo amate…
- Já estou a ver no que isto vai acabar… Mas que é isto?! Esteja quieta!! Largue-me… Não vê que ainda estamos em directo…?!
- Il tragus fa l'amore com me...
- Sim senhora… Tudo bem… Mas ainda temos 2 músicas para apresentar foi o combinado… la combinazione… Aguenta aí os cavalos… Vamos lá despachar isto e vai já cantar a 2ª música… Sabr…Saler… Sabrina Sal… Está quieta!! Sabrina Salerno em Yea…. Bolas… Em Yeah Yeah… Vamos ouv… ouvir…






- Sim senhora… Mais um belo video e mais uma música de merda.
- È vero…
- Mas reparo que de o primeiro vídeo para o segundo, existe uma mudança extrema…
- Sì. Ci è un cambiamento grande nello stile di musica… Ricordate che la prima canzone proviene dal 80s e quello secondo proviene dal 90s…
- Bom… Eu estava mais a pensar mais no facto de teres mudado de biquini para fato de banho, mas enfim… A que se deve essa mudança?
- Per niente... Appena per divertimento. Appena per farei il miei fan soffrire un peu. “No boobs for you today…” eh eh
- Estou a ver… És mesmo porca.
- Grazie.
- Vamos então para o último vídeo, que isto por aqui vai descambar. Minha querida, foi um prazer ter-te aqui… És sem dúvida uma pega, mas uma pega com P grande… E vocês meus amigos… Até uma próxima oportunidade. Deixo-vos uma vez mais com a Grande Sabrina Salerno em Hot Girl… Olhem que ela desta vez preparou-nos algumas surpresas para este vídeo… Beijos e abcs para todos…

Segunda-feira, Junho 04, 2007

Quando o Elefante canta...

Olá meu caros amigos, há já algum tempo que não vos dizia nada. Pois bem, hoje o nosso blog vai tornar-se num blog de dimensão internacional. Imaginem só que vamos receber uma cantora de grande renome regional (lá na terra dela…) que vem cá mostrar o seu talento… e que talento…(não… não é a Fafá de Belém).

É uma rapariguinha doce e de olhar meigo, que nos encanta com as suas músicas… eeh… mas quem é que eu estou a querer enganar?! É um pega… ou pelo menos tem ar disso e eu quero acreditar que sim.

Ela participou no festival da Eurovisão deste ano, representado o seu país a Moldávia, tem 1 e 90 e tais, um corpo deslumbrante e acima de tudo umas pernas maiores que eu… Convosco na nossa primeira rubrica “Quando o Elefante canta…”, Natália Barbu…

- Olá Natália bem vinda ao meu programa…
- Pazdrav kako ste…
- Pois… Pois… Eu sei, o meu charme é enorme… Não tenho culpa, foi Deus que me fez assim…
- Vrei sa pleci dar nu Portugal…
- Bom… Isso de vistos de trabalho fica para depois… Primeiro vamos falar um bocadinho… És mesmo boa não és?
- Mi-amintesc de ochii tãi.
- E não percebes bode do que eu estou a dizer, não é?
- Ti-am dat beep.
- “Beep”?! Eu é que te punha a fazer “beep beep”.
- Então diz-me cá, tu gostavas de vir para cá trabalhar, não?
- Iastur.
- É o que eu pensei. Então e sabes fazer strip tease?
- Strip tease?
- Ah… Pois. “Strip Tease” isso já tu sabes dizer em português… Vocês moldavas são todas iguais.
- Chipul tãu si Strip tease…
- Eu sei que gostas de fazer… Mas agora não porque estás aqui é para cantar. Daí o programa de hoje se chamar “Quando o Elefante canta”.
Caros leitores, convosco Natália Barbu e a sua música Ingerul meu.
- Partic mastuc Ingerul meu…?
- Vai mas é cantar sua desavergonhada…
- Pluiq?!
- Para ali… Anda cá… Epá… Belo corpanzil, estou a gostar… Pronto. Aqui… Agora canta… Sing. Vou mas é pôr a música a tocar que ela percebe logo. Convosco Natália Barbu em “Ingerul meu”. Uma música para ouvir sem som no monitor….






- Sim senhor… és mesmo jeitosa. Perdoa-me a expressão mas tens um talento do caralho… Ou melhor, deves é ter talento para o caralho.
- Iabstume.
- Não tens nada que agradecer. As verdades têm que ser ditas. Então e diz-me cá, já tem metade da família a trabalhar cá, não?
- Lotipal metade jotele nic…
- É o avô nas obras, a irmã no Gallery, a mãe no Técnico… Sim senhora e tu quando é que vens para cá? Gostavas de vir para cá, não era? Não me importava de ter lá em casa como empregada doméstica…
- “doméstica”?
- Sim doméstica. Limpavas-me a casa que era uma maravilha. Bom, mas tu estás é cá para cantar… Pelo menos para já. Convosco mais uma vez Natália Barbu com a sua música Poate… Que porcaria de nome…
- Partic mastuc Poate?
- Sim, sua estúpida é para cantar… Para ali outra vez, nunca mais aprende… Uma vez mais não se esqueçam de tirar o som, que não interessa a ninguém.






- Estou a ver que lá para a Moldávia também há destes programas manhosos do género Portugal no Coração.
- Kadut nomei hojerta basturk.
- Pois é… Cheio de moldavas doidas…
- Mite nsa turoire patarn…
- Claro, são todas iguais…
- Jutire manire nomei.
- Pois… Mas não. Não há bordeis para vocês todas… Se vierem assim ao poucos e poucos tudo bem, mas todas ao mesmo tempo não
- E inglês? Sabes falar inglês? Do you speak english?
- English? Yes of course…
- Too sad. But I don’t know how to speak in english. We have to speak in Portuguese… Sorry, my dear.
- But… You don´t speak English? You are speaking so well right now…
- Pois.. Mas não falo… E o melhor é despachar já isto porque ainda tenho outro programa para ti depois da entrevista. Vamos mas é embora cantar a música do festival da canção.
- “cantar?”
- Sim… cantar. Estás a ver? Ainda só cá estás há 10m e já falas mais português que muitos moldavos… Minha gente hoje ficamos por aqui, prometo voltar com mais um programa “Quando o Elefante canta…”
- Iastik?
- Sim… Ai mesmo. Começa a cantar antes que me chateie… Adeuzinho rapaziada.



Quinta-feira, Maio 31, 2007

Porque há momentos que duram para sempre...

Rapaziada, nao vos tenho dito nada por falta de tempo.

Mas deixo-vos com este pequeno video. Haverá algo mais conservador que o Tom e o Frank, sentados a fumar uma cigarrada e a cantar a Garota de Ipanema?

Porque há momentos que duram para sempre...


Quarta-feira, Maio 02, 2007

Entrevista à mãe do rock português...

Depois de lerem o título deste post, não preciso de vos dizer mais nada sobre o nosso convidado de hoje. Imediatamente vocês descobrem de quem se trata. É por todos considerado uma personagem mítica da música portuguesa, autor das mais labregas canções compostas e cantadas na língua de Camões. O seu cabelo é a par da trunfa do Donald Trump, o cabelo mais reconhecido a nível mundial (o que não tem necessariamente de ser bom...) e continua a entusiasmar e a levar à loucura (até direi mesmo, à demência mental...) gerações e gerações de portugueses e acima de tudo... portuguesas.

- Boa noite, José Cid.
- Boa noite, Tragus.
- Zé, é um prazer ter-te aqui no meu blog. Sei que andas muito atarefado a compor novas músicas...
- Quem?! Eu?! A compor novas músicas?!
- Sim. Não vais lançar um novo álbum?
- Vou, mas o que é que isso tem a ver com novas músicas?!
- Bom... Pensei que...
- Pensaste mal. Este vai ser um album de Best of...
- Outra vez? Mas há quanto tempo é que não lanças uma música nova?
- Eu sei lá... Para aí há uns 20 anos...
- Tu és o maior. Anda para aí a vender o mesmo peixe há duas décadas e há gente que ainda o come...
- Eh eh... É verdade.
- Ouve lá, há uma coisa que eu ando para te perguntar há muito tempo...
- Diz.
- O que é que passa pela cabeça de uma pessoa quando está a escrever algo como o "Favas com chouriço"?
- Nada.
- Nada?!
- Absolutamente nada...
- Como assim?
- Achas que se eu tivesse algo na cabeça nessa altura conseguia escrever uma coisa tão má?
- Realmente seria complicado. Eu acho fantástico a forma com tu maltratas a mulher que te liga para o escritório a dizer "Não sei viver sem ti amor, não sei o que fazer..."
- Pois claro, a ligar-me para o trabalho com mariquiçes...?! Não sabes o que fazer?! Olha... Faz-me favas com chouriço.
- És realmente um animal.
- Obrigado.
- Ora bem, antes de avançarmos gostava então que nos cantasses esse teu sucesso, até porque pode haver algum dos nossos leitores que já não se lembre da canção. Que te parece?
- Pode ser...
- Vamos lá então, José Cid: Favas com chouriço





- É fantástico, Zé... É realmente uma música de merda...
- Obrigado, é essa a intenção.
- Mas diz-me cá: essa história do "dou um beijo no escrivão e nem toco na secretária que é tão boa...", isso não é verdade pois não? Não me digas que não papaste a secretária...
- ...
- Esse sorriso maroto diz tudo. Mas adiante... Tu és, tal como eu, um reconhecido putanheiro de renome internacional.
- Sim, pode dizer-se que sim.
- Ao longo da tua vida já tiveste inúmeras mulheres de diversas raças e credos...
- Sim... Tudo ao mesmo tempo sim... Uma vez até fui para a cama com uma israelita e uma palestiniana ao mesmo tempo... Isto nem o Isaac Rabin... Eu é que mercecia o nobel da paz...
- Da Paz?!
- Sim... Da "paz"... Que era o som que a minha mão fazia no rabo delas...
- Eh eh. Sim senhor... Não páras de me surpreender. Mas para seres um putanheiro internacional tiveste que dominar várias línguas e tornar-te num poliglota. Estou a falar obviamente do festival da Eurovisão de 1980 onde participaste com mais um dos teus sucessos, cantado em várias línguas e que segundo sei te abriu várias portas.
- É verdade.
- Vamos então recordar mais esse teu sucesso. Convosco, José Cid em Um grande, grande amor.





- É realmente uma grande música, infelizmente ficou mal colocada no festival...
- É mentira. Isso foi o que as televisões mostraram em directo... Porque a verdade foi muito diferente.
- Então o que se passou?
- É que nas 2 noites que se seguiram ao concurso eu acabei por ficar por cima de muitas das concorrentes... eh eh.
- Não me digas...
- Bom... E daí não sei se fiquei a sim tão bem colocado... É que em algumas delas eu fiquei colocado por trás...
- És realmente um animal.
- Obrigado.
- Então e para ti qual é a tua melhor música?
- Não sei. Todas elas são boas.
- Pois, mas há uma que é ainda mais estúpida que as outras...
- Há?!
- Há sim...
- Eeeh... Não estou a ver... Ah! O macaco... "Como o macaco gosta de banana eu gosto de ti..." Pois é. Realmente não estou a ver como é que se pode descer abaixo disso.
- Zé, foi um prazer estar aqui um bocado à conversa contigo, mas estamos a ficar sem tempo. Propunha-te precisamente que fechassemos o programa de hoje com esse sucesso, pode ser?
- Claro. Foi um prazer vir ao teu blog.
- Obrigado. Senhoras e senhores convosco o mítico José Cid. Como o macaco gosta de banana... Até à próxima.


Sábado, Março 10, 2007

Falamos depois

Rapaziada, como estão? Infelizmente eu nos próximos dias estarei em Aspen a convite de umas senhoras suecas que conheci ontem à noite e como tal não conseguirei escrever nada. Sabem como é... As nórdicas sabem ser muito persuasivas e nós os homens latinos temos muita dificuldade em dizer que não a uma mulheres com mais de 1 metro e 80.

De qualquer maneira, deixo-vos um musiquinha de um amigo, companheiro e putanheiro, que é bem bonita e vos ajudará a passar o tempo enquanto em não estou cá.

A música chama-se "Falamos depois". É uma música com uma letra que diz muito a todos nós que andamos nesta vida de regabofe, folia e devassidão. Vemo-nos daqui a 1 ou 2 semanas. Falamos depois.


Sei que estou cansado
E já não quero .. Falar mais contigo
Até de manhã
Deixa-me dormir
Dá-me umas horas
Que depois eu ligo
E falamos depois

ha ha ha ha ha
Queres ficar aqui
À espera que eu acorde
Com pena de ti

Dá-me um tempo
Dá-me espaço
Deixa-me ter .. um momento
de cansaço
Que é bem melhor assim

Pensa bem
Se vale apena discutir
Por uma tolice
Ou por quase nada
Ou se me preferes de cabeça fria
Logo de manhã
Quando acordar

ha ha ha ha ha
Sei que vamos rir
E até jurar
Não mais discutir

Sei que estou cansado
E já não quero .. Falar mais contigo
Até de manhã
Deixa-me dormir
Dá-me umas horas
Que depois eu ligo
E falamos depois

ha ha ha ha ha
Queres ficar aqui
À espera que eu acorde
Com pena de ti

Dá-me um tempo
Dá-me espaço
Deixa-me ter .. um momento
de cansaço
Que é bem melhor assim

Pensa bem
Se vale apena discutir
Por uma tolice
Ou por quase nada
Ou se me preferes de cabeça fria
Logo de manhã
Quando acordar

ha ha ha ha ha
Sei que vamos rir
E até jurar
Não mais discutir




Falamos Depois.mp3

Terça-feira, Fevereiro 06, 2007

Ele por cá... outra vez.

Olá amigos, como estão? Estava com saudades vossas e apeteceu-me escrever qualquer coisa. Anda para aí muita gente preocupada com o referendo ao aborto, eu cá sou sincero: a única coisa que a mim me preocupa em relação ao referendo é saber quando é que ele acaba… Já não tenho paciência para aquela porcaria. É de manhã à noite “eu voto SIM”, “eu voto NÃO”, “eu até ia votar SIM, mas ASSIM NÃO...”. Já enjoa… Olha, a mim ninguém me perguntou se eu queria deixar de ver o Preço Certo em Euros às 7 da tarde para ter que assistir nos 4 canais à porcaria dos tempos de antena sobre o referendo… É inacreditável. E ainda para mais, quando os tempos de antena são para eleições legislativas, presidenciais etc. são 4 ou 5 e acabam… Agora para o referendo? Aquilo nunca mais acaba… São “os funcionários públicos de Fafe pelo NÃO”, as “Prostitutas de Castelo Branco pelo SIM”… É um horror. Eu estou até convencido que em Portugal há mais movimentos de cidadãos do que cidadãos em si…

Apesar de eu já estar farto deste tema, achei que devia dar o meu contributo para o debate de ideias e tenho aqui comigo em estúdio um amigo, com o qual partilho pontos de vista em relação ao mundo em geral e à sociedade portuguesa em particular. Ele esteve connosco há bem pouco tempo e falou-nos dos projectos que tinha para a Assembleia da República, projectos esses que acabaram por ficar pendentes, uma vez que se demitiu do cargo que ocupava de líder da bancada parlamentar do CDS. Convosco, mais uma vez: Nuno Melo.

\ - Olá Nuno, uma vez mais, bem-vindo a esta casa.
- É um prazer estar de volta, Tragus.
- Olha, deixa-me dizer-te que é um prazer subscrever este teu movimento para o referendo sobre o aborto…
- Subscrever ainda não… Porque tu ainda não subscreveste nada… Para isso tens que assinar aqui este papel…
- Papel?! Mas isto é um poster de uma gaja toda descascada… O que é isto?
- Isto Tragus, é um “Belus Corpus”…
- Um “Belus Corpus”?!
- Sim… Repara, o que está na moda agora é os movimentos de cidadãos assinarem um Habeas Corpus, nós aqui no nosso movimento assinamos antes um Belus Corpus… E que “belus corpus” esta senhora tem… Diz aqui que é a Jeneaveve Jolie… Ela de certeza que apoia a nossa causa…
- Pois sim, mas ainda não explicamos aos nossos leitores o que é “a nossa causa”… Deixa-me então perguntar-te o que é isto do movimento “Sou cabrão, voto NÃO”?
- O “Sou cabrão, voto NÃO”, nasceu de uma conversa informal de amigos, com os mesmos interesses e formas de ver a vida, que acharam que deviam dar o seu contributo para esclarecer a sociedade neste tema da interrupção voluntária da gravidez…
- Esclarecer um ova… Isto está-me a parecer é que tu e o Narana Coiceró que estão desempregados não tinham nada para fazer…
- Eh… Bom… Sim, é um bocado isso…
- Então e porquê o movimento “Sou cabrão, voto NÃO”?
- Bom… Primeiro porque rima… e segundo porque a outra hipótese era o “Eu sou assim, voto SIM” e este tem muito mais a ver comigo…
- Realmente… Então e como vai ser a campanha de esclarecimento?
- Bom… Vamos andar pelo país a esclarecer dúvidas às pessoas… Hoje por exemplo estaremos no Estoril em sessão de esclarecimento…Para comunicar com as pessoas, falar com elas sobre os seus problemas. Amanhã estaremos na Figueira da Foz, depois em Espinho… e para a semana estaremos em Vilamoura e Montegordo.
- Sim, senhor… Nem faço ideia porque escolheram precisamente essas cidades…
- Nem eu, foi o Dani que escolheu os locais de campanha…
- O Dani?!
- Sim… Aquele que era jogador da bola… Ele também está nesta luta connosco…
- Então, mas o que é que ele percebe de abortos?
- De abortos nada… Mas é um “cabrão” de todo o tamanho…
- Muito bem… Então e publicidade, tempos de antena…?
- Bom… Tempos de antena, como não tenho paciência para tratar disso optámos por passar 5 minutos dos melhores e mais refinados anúncios da EVAX…
- Da EVAX?! Mas porquê?!
- Ora tu conheces algo mais divertido para ver na televisão que os anúncios da EVAX? Até conseguimos desencantar no YouTube aquele da velhota que entorna sumo de laranja no penso higiénico e ficam bolinhas cor de laranja… É brutal…
- Vocês não tem mesmo nada que fazer… Enfim… Então e outdoors? O que é que vão espalhar aí pelas ruas do país…
- Ah ah… Isso vai ser a nossa jóia da coroa… Vou-te dar alguns exemplos. Vamos ter um em que apareço eu sentado no Piazza, a beber um ginger ale e a olhar o rio e depois aparece a seguinte frase: “E então? Eu voto NÃO.”
- Isso é um cartaz com uma grande mensagem...
- Pois é… Mas não é tudo, vai haver outro que esse sim, vai ser uma lufada de ar fresco na publicidade institucional… Vou estar eu e o Dani num bar de strip e à nossa frente está a dançar uma striper africana mesmo muito feia… E a frase será: “Isto sim é um Aborto! “
- Epá… Isso é capaz de ferir a susceptibilidade de muita gente…
- Pois claro, daí o nome: “Sou cabrão, voto NÃO”. Vamos ainda ter outro em que sou eu vestido de smoking com uma arma fumegante na mão e a dizer por baixo: “007 – Licença para abortar”…
- Então mas isso até parece que estás a favor do SIM…
- Eu sei, mas a foto estava tão gira que era um crime não a utilizar…
- Claro compreendo. Então mas tu já tomaste alguma posição neste referendo?
- Sem dúvida… Sou pelo NÃO…
- Então e porquê? Alguma razão em especial…?
- Claro… Sou pelo NÃO porque: NÃO quero saber, NÃO estou interessado e porque estou a pensar NÃO ir votar…
- Sim sr. Estou a ver que há para aí muitos NÃOS, faz todo o sentido… Então e qual é o papel do Narana no meio disto tudo?
- Ah… O Narana é responsável pela nossa linha anónima…
- Percebo é uma linha para onde as grávidas podem ligar quando precisam de apoio, falar dos seus problemas…
- Não, não… é mesmo um número anónimo… apartir do qual ele se diverte a fazer chamadas para números ao calhas do tipo: “vai já chamar a tua filha” ou então o já mítico “é de casa do sr. Leitão? Então mande assar…”
- Isso sim é que é um trabalho intenso de campanha…
- Pois é… Ontem fizemos uma giríssima, ligamos para sede do CDS e dissemos: “Olhe passe-me o líder do partido…” E de lá responderam: “O Dr. Ribeiro e Castro não está de momento…”, ao que o Narana respondeu: “Sim… Sim… Mas não era com ele que eu queria falar, passe-me lá ao líder do partido se faz favor…” eh eh. Que piadão… Percebeste? Líder do partido/Ribeiro e Castro… eh eh… Matamo-nos a rir.
- Mas que piada tão gira…
- E não é tudo… Anteontem ligamos para a sede do Concelho de Ministros, disse-mos que éramos o Manuel Pinho e o Narana começou a cantar: “Atirei o pau ao gatotoo… mas o gatotoo não moreu-eu-eu…”
- Imagino, devem ter pensado que o Manuel Pinho estava maluco, não?
- Pois… O estranho foi precisamente isso… A senhora que atendeu, em vez de achar estranho começou a dizer: “Pronto, sr. Ministro… Já nos cantou isso muitas vezes… Mas desligue lá, escusa de estar a gastar roaming aí da China… Depois quando voltar canta-nos isso… Pronto…”
- Realmente… Isso não lembra a ninguém… Então e mais tropelias é que tem feito?
- Ah… Houve uma… mas essa foi ideia do Dani… Falsificamos um cheque de 100.000 euros com o nome de Bragaparques à ordem de José Sá Fernandes e pusemos na caixa de correio dele… E a seguir ligamos anonimamente para o Correio da Manhã e para o Tal e Qual… Vai ser uma bomba...
- Olha e já votaste no Pai Salazar para o Grande Português?
- Claro que sim… Já votei pelo menos umas 20 vezes… Vê lá tu a ideia que o Narana teve… Entrámos à socapa pelos gabinetes dos deputados do PCP e do Bloco de Esquerda e votamos com os telefones deles… Se alguém for ver de onde vieram as chamadas vai ver que os telefonemas partiram de lá… eh eh… um escândalo.
- Fantástico… Vocês, são um poço sem fundo de ideias…
- Quem diria, ehm…? Que na única votação democrática a que o Pai se sujeitou ia ter o apoio da bancada comunista…? Eh eh… É mesmo irónico, não é? É caso para dizer: “Quanto mais me bates, mais eu gosto de ti…”
- Eh eh. Então e planos para o futuro? Pensas candidatar-te para secretário-geral do CDS?
- Bom… Não tenho qualquer intenção nesse sentido… Mas se o partido precisar de mim, não posso virar as costas à luta…
- Claro… E se o partido precisar de ti?
- Então lá estarei, pronto para ajudar…
- Muito bem… Pareces muito decidido… Então e já tens ideias para o caso de ganhares o congresso?
- Claro que sim…
- Tipo, o quê?
- Ora… a primeira coisa a fazer é mudar de sede…O Caldas é muito mau para estacionar…
- Parece-me bem e mais…?
- Segundo vou mudar o hino do partido… Aquele da Dina já está muito batido… Estava a pensar no Come on Eileen dos Dexys Midnight Runners… Algo assim mexido dos 80´s… Tipo T-Clube da Quinta do Lago… Até estou a pensar falar com o Trigo e dar-lhe a exploração da nova sede… Será uma sede vanguardista onde todos os tios e tipos poderão dançar até de madrugada… Aliás: CDS – Club Disco Sound. Vai ser o sucesso…
- Mas que maravilha…
- E ainda não te falei das festas… Lembraste da festa “Last Night in S.Bento”?
- Sim… Então não… Foi um festão… Partimos a casa toda…
- Pois claro… As festas no CDS Club serão ainda melhores… Teremos trintonas divorciadas, muito champagne, tios, tias…
- Enfim, tudo o que se quer…
- Sim… e muito glamour também. Estrelas internacionais… Tudo com a música do DJ Latin Lover…
- O quê?! O Berlusconi a pôr música no CDS Club?!
- E porque não, Tragus? Tudo é possível… O céu é o limite…
- Estou espantado… Isso vai ser refrescante para a política portuguesa…
- Não… Refrescante vai ser a nossa festa Bye Bye Winter… Com bailarinas a bailar todas descascadas… Uma verdadeira Spring Break como deve ser…
- Tu és grande…
- Pois, sou… E olha tens aqui um cartão da casa para ti…
- O quê?! Obrigado… Mas eu nem sou militante do CDS…
- E então?! Não é preciso…toda a direita é bem vinda… Aceita. Olha que a inauguração está a cargo do Júlio César…
- A sério? E o que vai ser?
- Segundo ele, será um espectáculo memorável… Muita cor, muita música…
- Muitas mamas à mostra…
- Como é óbvio. É um show com a assinatura do Júlio César…
- Mas não é tudo… Teremos outros eventos. Falei com o Evaristo e ele fará no CDS todas as festas da Casa do Castelo: festa branca, red line… Um sucesso garantido.
- Muito bem. Nuno, infelizmente não temos mais tempo e teremos de ficar por aqui… Foi um prazer como sempre.
- O prazer foi todo meu.
- Caros amigos, foi mais um bate-papo animado com Nuno Melo…
- Mais um, dizes bem… Para a semana estou cá batido…
- Calminha aí, também tenho de receber outras pessoas… Não podes ser sempre tu…
- Então e seu trouxer aquelas duas do Elefante que estavam cá no outro dia?
- Eh… Bom… Se é assim. Como é que estás de agenda para a semana?
- Tenho uns quantos almoços e jantares, mas deve dar para encaixar…
- Óptimo… Foi então a entrevista a Nuno Melo. Beijos, abraços e boa noite.

Sexta-feira, Novembro 24, 2006

Direito à resposta

Olá rapaziada, já lá vai um tempinho desde que não vos escrevia um textozito... As pessoas queixam-se (e com razão...) que eu devia escrever com maior regularidade, pois existe uma necessidade constante de saber qual a minha opinião sobre o mundo. Pois bem, agora tinha uns minutos e resolvi aproveitar, para deixar aqui a minha resposta a uma pessoa que deixou um bonito comentário no meu post "There´s only one... José Cid". O sr foi tão simpático connosco que achei que deveria perder alguns minutos na minha atarefada vida e responder-lhe. Depois quando tiver mais tempo, fica já prometido um post sobre outros assuntos.

Então não é que apareceu neste blog um sujeito a dizer mal de mim?! Co a breca. Sim sr... E ainda por cima de uma personagem de grande peso na nossa sociedade: o sr. Anonymous. Ora, o sr Anonymous (que provém de uma família de grandes críticos culturais - os Anonymous), disse e passo a citar: " És um anormal!Ouve o álbum de 1978 "10000 anos depois entre vénus e marte".E depois, diz se não fez música inteligente.Este país de atrasados mentais como tu, é que o empurrou para a foleirada."

Pois bem, vamos por partes: "És um anormal!" - de acordo. Não tenho nada contra. Eu sou muito, mas mesmo muito acima do normal... tipo lá no topo. Estão a ver a Av da República? Vocês estão no Saldanha e perguntam-vos "Onde é Entrecampos?" e vocês "Epá, isso é lá para o fundo...", "então e o Campo Grande?" e vocês "Xiii... Isso então é que é mesmo mesmo lá no fundo"... Pois para si sr Anonymous, eu já vou no Lumiar no final da Alameda das Linhas Torres, que isso sim é que é mesmo mesmo mesmo lá no fundo... Ao par que você provavelmente também está fundo, mas fundo na linha do metro, numa obscuridão cultural que o faz gostar de José Cid sem estar bêbado.

Continuando a dissertar a sua crítica construtiva: "Ouve o álbum de 1978 "10000 anos depois entre vénus e marte" e depois diz se não fez música inteligente." - Bom, vamos lá ver... O título desse albúm era para se chamar "10.000 anos depois na terra", só que o homem esqueceu-se do nome do planeta em que vivia e teve que fazer umas alterações... Ele lembrava-se de ter estudado na escola o sistema solar e começou a dizer "Sol - Mercúrio - Vénus - Planeta que não me lembro do nome - Marte - asteróides - Júpiter... Que raio, como é que se chama aquele planeta? Será Baco? Juno? Costumam ter nomes de deuses romanos... Bom, não interessa, vou-lhe chamar 10000 anos depois entre vénus e marte..." E assim ficou.

Se o sr estava a pensar em metáforas ou outros truques de escrita utilizados por José Cid, desengane-se... Metáfora é por exemplo: "O seu cérebro é um armazém de serradura.", porque estou a comparar o seu cérebro com um armazém de serradura sem utilizar a palavra "como"... Ah... Mas espere, é que isto também não é uma metáfora... No seu caso, é capaz de ser mesmo verdade.

E por fim " Este país de atrasados mentais como tu, é que o empurrou para a foleirada." - aqui detecto 2 situações: 1º o "atrasados mentais como tu", o que é que o sr quer dizer com isto? Imagino que queira dizer "atraso", não no sentido prejurativo de alguém com um QI inferior, mas sim no sentido de alguém que se rege por princípios como a família, o convívio com os amigos, o amor pela pátria, a não intervenção do estado na economia... mas homem, está enganado. Isso não se chama "atraso mental", chame-me antes "conservador" ou pronto, se o termo não for o mais apropriado para si aí na margem sul, chame-me "fascista" que eu também não me importo.
2º situação que eu encontro na sua frase "...é que o empurrou para a foleirada". Eu creio que o sr Anonymous aqui voltou a cometer um erro. Não é "que O empurrou para a foleirada", é "que ME empurrou para a foleirada"... Porque uma vez mais lhe digo, se você ainda fica tão ofendido ao ponto de chamar anormal e atrasado mental a alguém que publicou um artigo de brincadeira sobre o José Cid num blog de amigos, é porque você é que foi empurrado por alguém para a foleirada e garanto-lhe que esse alguém não fui eu.

Segunda-feira, Outubro 16, 2006

Lusofonia

Terminaram no passado Domingo os Jogos do Mundo Português, ou como é agora politicamente correcto dizer: os Jogos da Lusofonia.

Não sei bem o que quer dizer essa palavra "lusofonia", parece-me o nome de uma estação de rádio local da Beira Litoral "Você está a ouvir a Lusofonia, 104.2 FM. Já a seguir Tony Carreira e o seu novíssimo sucesso..."

Mas enfim, o que se passou ao longo destas duas semanas em Macau (essa terra tão portuguesa em que até os passeios do centro da cidade estão cobertos de calçada e onde existe uma fonte com uma bola que deita água, tal e qual como em Albufeira), mais não foi que uma reunião de atletas oriundos de toda a família portuguesa que se juntaram para competir de forma saudável, para glória da nossa pátria comum.

Claro que a esta hora, já estão alguns de vocês (meros comunóides, que não interessam a ninguém...) a dizer: "Ah... Mas é que esses países são todos independentes por direito próprio. Não se pode pôr em causa a autodeterminação dos povos... e patati patata".

Ao que eu vos respondo: "Co a breca... Vós não passais de um bando de larilóides e o vosso único interesse em África é que um moçambicano vos enfie o... enfim... pelo rabo acima"

Vamos lá por partes. Quer os países africanos, o Brasil e as outras colónias são o que são precisamente porque nós lá andámos. Os jogos chamam-se "Jogos da Lusofonia", não é? Quem é que ensinou aquela gente a falar português? Fomos nós... Portanto, os chamados jogos da Lusofonia, mais não são que um tributo por parte das regiões colonizadas à metrópole que os ensinou a falar a língua mãe e os tornou em países minimamente civilizados, livrando-os de uma existência patética em que a comunicação se faria através de sinais de fumos ou através de línguas primitivas e foneticamente atrasadas, como o castelhano, o inglês ou o francês...

E isso de dizer que as ex-colónias são países independentes tem muito que se lhe diga. Ora vejamos:

- Fala-se muito que o Brasil é o maior e mais importante país da CPLP e da lusofonia... Nada disso é mais falso. 1º o Brasil pode até já ser um país independente, mas isso vai acabar. Os portugueses estão a fazer uma reconquista lenta do país-continente através da compra de lotes de terreno e de construção no nordeste brasileiro. Os países conquistam-se "palmo a palmo", diria D.Afonso Henriques, nosso pai fundador. Eu cá vou mais longe e digo que os países se conquistam em lotes de 2500 em 2500 m2 de área de construção com vista para o mar. Quando já não houver mais terrenos para comprar no nordeste, avançamos para as outras regiões... Compramos tudo: Paraná, Minas Gerais, Santa Catarina, Distrito Federal... Só não compramos é essas porcarias do Amazonas e Mato Grosso, que isso não interessa a ninguém e só dá é chatice.
Querem então vocês convencer-me que o Brasil não é Portugal, quando até já lá existem "Pousadas de Portugal"?! Tenham juízo...


- Mas não é só o Brasil. Moçambique é também por si só um interessante caso de colonializmo português. Vamos lá ver... No fundo, no fundo, o que é aquilo a que nós chamamos Moçambique? Moçambique mais não é que uma cidade (Lourenço Marques), uma barragem (Cahora Bassa) e 2 ou 3 ilhas com praias (Pemba, Bazaruto, Ilha de Moçambique).
Vamos por partes: Lourenço Marques (isso de "Maputo" não existe... A única Maputo que eu conheço é quando um desses pulhas da Cova da Moura vai assaltar o pessoal e diz: "Yo. Ma puto, roda os trocos..."), é uma bela cidade portuguesa, cujo bonito brasão com uma caravela de velas vermelhas, continua a ostentar orgulhosamente a frase "Descoberta e soberania portuguesa".
Cahora Bassa, quiça uma das únicas coisas bem feitas em África, continuou até há bem pouco tempo a ser detida por capitais nacionais, sendo posteriormente vendida ao estado moçambicano por uma pipa de massa, utilizando o conceito "a pátria não se vende, mas um lago perdido no meio de África, caga lá nisso..."
Então e o resto? Já no tempo do pai se dizia "Moçambique praias de sonho"... Para dizer a verdade, não há muito mais para fazer lá se não ir para a praia. Nesse aspecto, temos lá o tio Pestana a tratar do assunto em Pemba, Bazaruto etc.
Para ser sincero, auguro um grande futuro para Moçambique nas mãos dos operadores turísticos nacionais, já estou a imaginar uma gigantesca cadeia de Resorts, desde Lourenço Marques até Nampula, passando pela cidade da Beira. Uma espécie de nova e maior Cancun, misturada com Las Vegas, atafulhada de bifas malucas... Onde é noite todo o dia e a diversão nunca acaba.
No interior, no Niassa, grandes reservas de caça grossa e turismo rural. Em Cahora Bassa, uma espécie de eco-turismo com capacidade para 40.000 camas (atenção... Não queremos nada megalómano... Tem que ser algo pequeno e respeitando o ecosistema, aquilo não é o Alqueva).


- Então e Angola? O que fazer com Angola? Angola é o futuro. De quem? - perguntam vocês. De todos, aquilo é a árvore da patacas.
Começemos pelo petróleo. O petróleo encontra-se todo em Cabinda. Tal como o D.Duarte lembrou e muito bem, nós demos a independência a Angola, mas não demos a Cabinda. O que as pessoas não sabem é que Cabinda tem um estatuto diferente, era um protectorado português e não faz parte de Angola. Está na hora de alguém começar a defender os nossos direitos e a fazer queixa desse facto nas Nações Unidas.
Asssim que Cabinda for oficialmente portuguesa, podemos aderir à OPEP e encher-nos de dinheirinho que será muito importante para o desenvolvimento da metrópole. Vamos encher isto de aquedutos, fontes gigantescas e grandes praças acimentadas com bandeiras, tal e qual fazem os outros países produtores de petróleo.
Com o dinheiro que sobrar, modernizamos o exército e invadimos o resto de Angola. Já estou a imaginar milhares e milhares de tropas aerotransportadas a embarcar no aeroporto da Portela a gritar "Angola, é nosssa." - Vamos acabar o serviço que deixamos por acabar há 30 anos.


- Então e o Sri Lanka?! Sri Lanka o caraças, aquilo chama-se é Ceilão... Que foi o nome que nós lhe demos. Foi o único território indiano que foi totalmente português, nós entramos por ali a dentro, pilhamos, conquistamos, violamos, escravizamos... e eles sem razão aparente viram-se contra nós e mandam-nos embora. Com que direito?! Podiam-se ter feito coisas tão bonitas no Ceilão. Tal como em Moçambique podiamos ter enchido aquilo de resorts de luxo, mas desta vez mais virados para o turismo sexual de massas. Um novo conceito de resort: o "puti-gangbang-resort". Algo que até agora ainda não foi bem explorado, mas sobre o qual valerá a pena nos debruçarmos. Já estou a imaginar hoteis como o "Bacanal Inn" ou o "Madame Gigi House of Class & Spa".
O slogan da campanha promocional do turismo no Ceilão: "Será melhor que o Ceilão? Sei lá..."


- Da Índia, ou melhor de Goa, Damão e Diu, o melhor é nem falarmos. Toda a gente sabe que o exército indiano invandiu estes territórios e apoderou-se daquilo sem qualquer justificação. Quando o Iraques invadiu o Kuwait foi o que foi, era o mundo inteiro contra eles. A Indonésia invadiu Timor, demorou, mas lá os conseguiram mandar embora. Nas Falklands a Argentina achou que devia ir lá dizer "olá", a dama de ferro deu-lhes na cabeça... E nós, o que é que fazemos?! Vamos deixar que nos levem aquilo que é nosso, assim sem mais nem menos?! Não, meus amigos!! Se é para isso não contem comigo. Temos que começar hoje mesmo a preparar a invasão de Goa, Damão e Diu, para que estes voltem à soberania nacional quanto antes. Uma vez mais, o dinheiro do petróleo em Angola vai servir para pagar as despesas.
E perguntam vocês: "Mas que interesse é que tem invadir a Índia, aquilo não tem lá nada... Eles nem sequer sabem falar português..." - E então?! - respondo eu - Na Madeira e nos Açores também não sabem falar português e não é por isso que aquilo deixa de ser território nacional... Temos que invadir a Índia porque aquilo é nosso e ponto final. Com que cara é que iríamos dizer hoje ao Vasco da Gama "Epá, ainda bem que lá foste e tal, mas é que aquilo já não é nosso... Sabes como é, apareceu lá um tipo magrinho vestido de branco com uns amigos e mandaram-nos embora..." - Não senhor, as coisas não são assim. Todos os territórios tem interesse desde que sejam portugueses... Até as ilhas selvagens na Madeira. Podem não servir para nada, não se poder caçar ou pescar, mas são nossas, bolas!!


- Outra questão pertinente prende-se com Timor. O que fazer com aquilo? E não me venham para cá dizer que aquilo não é nosso, porque se lá está a GNR a passar multas de estacionamento, é porque não há dúvidas nenhumas de que aquilo é território nacional... Ou melhor, neste caso abro uma excepção. Acho que Timor devia tornar-se na única região do mundo a ser governada em regime de joint-venture entre Portugal e Austrália.
Reparem: o que é que Timor tem de interesse? O petróleo e o gás natural. Damos o petróleo à Austrália e ficamos com o gás natural. Em contra partida, mudamos o nome de Timor Lorosae para "Zona Franca de Timor" e transformamos aquilo num paraíso fiscal, atraindo empresas de toda a zona do sudeste asiático a estabelecerem-se lá. Depois transformamos Dili na Capital Mundial do Jogo. Já falei com o Stanley e ele concorda com a minha ideia: Macau é demasiado pequeno, por muitos aterros que se façam e por muita terra que se deite ao mar, aquilo não cresce muito mais. Agora em Timor, isso já é outra conversa... Temos metade de uma ilha para transformar numa Las Vegas gigante. Casinos por todo lado, casas de meninas, praias, hoteis... Será uma loucura.
Então e Macau, não irá perder dinheiro com isso? Claro que não... Enquanto houver chineses, haverá gente a gastar dinheiro, por isso não há problema. Quanto ao futuro de Macau, passará pelo projecto: "Um país, 3 sistemas". Como sabem os sistemas na China eram só 2, mas agora que nós estamos cheios de dinheiro e com um exército novo, já podemos dizer para a China: "Querem ficar com Macau? Na boa, mas dinheirinho para cá todos os meses"


- E perguntam vocês, que fazer com a Guiné Bissau e São Tomé? É simples, S.Tomé pouco mais tem de interesse que servir de cenário para a realização do filme "O Equador"... Para além disso, vamos recuperar e dinamizar as roças de café e de cacau e apostar num turismo de qualidade, não só a nível dos hotéis, mas também a nível da gastronomia (já falei com o João Carlos Silva e ele também acha uma boa ideia...)
Na Guiné, vamos fazer algo totalmente inovador. Vamos transformar aquilo no Orange County africano e encher aquilo de parques de diversões. Serão construídos parques como o "Africadisney", o "Bissau Water World", entre outros, e ainda o "Autódromo Internacional de Bissau" que acolherá provas do campeonato do Mundo de F1, o campeonato do mundo de MotoGP, a prova "24 horas de Bissau" que apartir de 2010 substituirá as míticas 24 horas de Le Mans e ainda acolherá a chegada do Lisboa-Bissau, que substituirá o Rally Dakar.


- Por fim... Cabo Verde. Eu tenho uma grande simpatia por Cabo Verde, a cidade do Mindelo, a Praia, o Tarrafal... Todos estes sítios me trazem recordações. A ligação de Cabo Verde à metrópole nunca esteve em causa. Aliás, os cabo-verdianos nunca pediram a independência, esse comunas do pós-25 de Abril é que juntaram tudo no mesmo saco e traindo a pátria venderam território nacional ao desbarato como se fossem barras de ouro do tesouro de estado (que estranhamente também desapareceram nessa altura.)
Aliás, se dúvidas havia sobre Cabo Verde ser de facto território português, qualquer tipo de dúvida ficará dissipada quando vos disser que a verdadeira capital de Cabo Verde é a Amadora e não a cidade da Praia, porque muitos foram os nossos irmãos cabo verdianos que vieram tentar a sorte em Portugal e ainda bem vieram, pois são um povo sério e trabalhador que ama Portugal como quem ama a sua terra. Tomara muitos portugueses gostarem tanto de Portugal como gostam os caboverdianos.
Devemos ter sempre em grande estima todo o povo caboverdiano. Os que vieram até nós e os que lá ficaram. E os que lá ficaram, não ficaram parados no tempo. Estão a construir um país novo, um país moderno, democrático e um exemplo para todo o continente africano. Não é fácil fazer aquilo que Cabo Verde fez nos últimos 10 anos, num terreno desértico, sem água, sem agricultura e com muitas carências, Cabo Verde criou uma sociedade equilibrada onde a pobreza extrema praticamente não existe. É emocionante passear pelo interior das ilhas, passar pelas aldeias e chegar à conclusão que aquilo é um bocado de Portugal que ali ficou. A igreja, o café ao domingo à tarde para beber uma imperial e jogar matraquilhos, a emoção de ver jogar o clube do coração na televisão e o coração nas mãos a cada falhanço do Pauleta.
E perguntam vocês, depois deste discurso sobre Cabo Verde tão levado ao sentimento: "Tragus, isso é muito bonito, mas o que é que tu prentendes fazer com Cabo Verde?"
E eu respondo-vos: absolutamente nada. Os cabo verdianos não precisam de estar sob a soberania para se sentirem tão portugueses como cada um de nós.



Agora falando um pouco a sério (como é óbvio, grande parte do que eu digo nestes posts não representa o que eu penso realmente...). Nós por vezes podemos brincar, imaginar o mundo como seria se o império ainda existisse, as coisas boas, as coisas más... Mas temos de ter sempre a consciência de que o tempo não volta para trás. Os países são como as pessoas e chega sempre o dia em que temos de abandonar a casa dos nossos pais e enfrentar o mundo, tal como aconteceu com as ex-colónias portuguesas. Mas a história não acaba aqui, o facto de nos afastarmos não implica que os laços de afectividade se diluam, antes pelo contrário. Portugal terá sempre uma responsabilidade histórica para com esses países, porque em grande medida, para o bem ou para o mal fomos nós que os moldámos, que lhes transmitimos os nossos vícios e as nossas virtudes e de certa forma continuamos a ser responsáveis por eles.

A lusofonia é algo de fantástico. Num mundo em que cada vez mais eclodem conflitos entre nações, é maravilhoso como um conjunto de países tão diferentes entre si são capazes de se chamar de "irmãos", de se ajudarem mutuamente, de participarem activamente na vida uns dos outros. Não há nada de mais bonito que ver um país inteiro mobilizar-se e sofrer minuto a minuto, por causa da barbárie a que foi sujeito um povo irmão do outro lado do mundo, como no pós referendo de 1999 em Timor. Não há nada mais bonito que ver um país pobre como Moçambique ter posto de parte dinheiro para enviar para as vítimas das cheias em Portugal, porque segundo o Presidente Chissano "Temos de ser uns para os outros". Não há nada mais bonito que passear por Cabo Verde e ver que as estátuas que lá deixámos continuam no lugar e que nenhum dos símbolos de Portugal foram arrancados das paredes, como que a mostrarem a todo o mundo que o nosso passado é só um e que eles se orgulham disso.

Não é só o passado que nos une, é também o futuro. Todos temos a ganhar com o sucesso dos países da CPLP, porque fazemos todos parte da grande nação lusófona.
Foi aí que se falhou há 30 anos atrás.


Beijos e abcs

Tragusbolis

Segunda-feira, Outubro 09, 2006

There's only one... José Cid

Numa altura em que a RTP nos convida a escolher e a votar naquele que é para vocêS a grande personagem da história de Portugal, a escolha irremediável da esmagadora maioria dos portugueses só poderá ser uma: José Cid.

Eu já depositei o meu voto no site da RTP e como é óbvio teria que ser nesse monstro da música nacional.

Existem inúmeras razões para escolher José Cid em deterimento de Afonso Henriques, Vasco da Gama, Camões, Salazar ou até mesmo (o já mítico) Alfredo Bóia.
Ora vejam só:


Razão 1:
Não vejo nenhuma razão para não votar em José Cid...

Razão 2:
Foi o primeiro português a aparecer na TV a cores em Portugal

Razão 3:
Exemplo a nível a internacional: grandes nomes da música como Stevie Wonder ou Ray Charles imitaram a sua idumentária e a sua forma de estar em palco (sentados num piano a berrar de óculos escuros...)

Razão 4:
Tornou-se o primeiro cantor português realmente internacional quando foi ao festival da Eurovisão em 1980 e cantou uma música cuja letra todos os estrangeiros sabiam o que era e nenhum português sabia o que aquilo queria dizer.

Razão 5:
É o único português que não mudou de penteado nos últimos 30 anos.

Razão 6:
É o autor da célebre frase: "Cai neve em Nova Iorque, faz sol no meu país..." - ainda hoje se discute qual o significado desta expressão carregada de simbolismo. Muitos dizem ser uma profecia do 11 de Setembro.

Razão 7:
José Cid considera-se a "mãe do rock português"

Razão 8:
Nunca escreveu uma música minimamente inteligente mas mesmo assim é um sucesso de vendas, com inúmeros discos de platina.

Razão 9:
Todas as suas músicas são uma merda, mas todos nós as conhecemos de cor... E pior que isso, até gostamos delas.

Razão 10:
Por todas estas razões e por mais algumas que agora não me lembro...


José Cid é para todos nós portugueses um exemplo. Um exemplo de como algo que não é bom, não tem necessariamente de ser mau. Ao espalhar a sua música de qualidade inferior, de rima fácil e de ritmo que fica no ouvido pelo mundo, José Cid fez mais pela unidade nacional que muitos estadistas.
Quando penso em José Cid tenho orgulho em ser português. Quantos de nós seriam capazes de inventar letras tão manhosas como "A cabana junto à praia" ou "Como o macaco gosta de banana"? E mesmo que fossemos capazes de escrever algo do género, será que éramos capazes de cantá-las perante milhares de pessoas?
Um amigo meu costuma dizer que "Phil Collins é tão mau, tão mau, que chega a ser bom.", o mesmo se aplica a José Cid, o último dos baladeiros portugueses. O mundo muda lá fora e José Cid permanece como sempre, inalterado, com o seu cabelinho à tigela e os seus óculos escuros, a cantar os seus hits 1001 vezes cantados, que não se riscam e nem se estragam. Tal como também ele não se estraga. Porque ele é eterno. Através da sua música, José Cid conquistou a imortalidade e o som da sua música ecoará pelos séculos dos séculos.

Um dia, quando esta fantástica aventura a que chamamos humanidade estiver a acabar, há-de lá estar José Cid, tal como hoje sentado no seu piano branco a cantar:


"Adio, adieu, aufwiedersehen, goodbye..."


Tragusbolis


Quarta-feira, Setembro 20, 2006

Entrevista a Nuno Melo

Vocês, pessoas simples de classe média passam por esta vida e não deixam nada de produtivo para a posteridade. Nada daquilo que vocês fazem hoje em dia terá reflexo no futuro distante. Quando morrerem, os vossos filhos lembrar-se-ão de vocês, os vossos netos saberão o vosso nome, mas ao fim de 3 ou 4 gerações não passam de "o pai do meu avô" ou "o avô da minha avó" e por fim serão esquecidos por tudo e por todos...
Tal não é o caso de algumas mentes iluminadas como Mozart, Matateu, Leonardo ou Eu próprio, que passamos por cá mas deixamos a nossa marca e o nosso saber, para que aqueles que cá ficam tenham acesso a uma existência mais rica e mais feliz. São as pessoas como Eu que fazem o mundo andar para a frente e fazem progredir a humanidade.
O meu convidado de hoje é sem dúvida uma dessas pessoas. É um conhecido apreciador de meninas, bon vivan... Que mais...? Apreciador de jogo ilegal... Casino, touros... Enfim, uma pessoa normal, que para além de tudo isto ainda tem o hobbie de ser líder parlamentar e deputado do CDS. Já devem ter adivinhado quem é...

- Nuno Melo, é um prazer ter-te aqui.
- Obrigado, Tragus, eu é que agradeço o convite. É uma honra estar aqui no teu blog, um local tão aprazível, onde se pode discutir abertamente sobre coisas da vida e do mundo em geral.
- Em geral não, que quando se começa a generalizar normalmente a coisa tende para a esquerda, não é assim?
- Deve ser, não sei.
- Olha lá, ó Nuno, antes de começarmos a falar... queres beber alguma coisa?
- Epá.. Se não for incómodo, fazes-me aí um Gin tónico?
- Por amor de Deus, não custa nada. Vou também fazer um para mim.
- Mas experimenta, em vez de pores limão, põe-lhe antes umas rodelas de lima... Foi uma coisa que o Narana Coiceró me ensinou e que lhe dá um gosto mais... enfim, tropical.
- Eh eh... Seu malandro estou a ver que o Narana te anda a ensinar umas coisas... "tropicais". Aqui para nós, ele já te levou à "Lareira Tropical"?
- Ah pois já... Ó Tragus aquilo é um mimo, tudo material de primeira linha, simpáticas, profissionais... Uma maravilha, digo-te eu. E olha que eu sei do que falo...
- Pois é. Só não sei onde é que aquele tipo vai desencantar aqueles sítios... Ora aqui tens o teu gin tónico. Exprimenta lá.
- Está fantástico, Tragus! A lima realmente dá-lhe um travo diferente...
- Por falar em travo, vai uma charutada...?
- Aceito de bom grado, o que é que tens por aí? Estou a ver aí uns Epicure nº2, nem sabia que havia disso em Portugal...
- E não há meu amigo... Chegaram hoje de Havana.
- Que maravilha, isto sim é vida... Estar aqui à conversa contigo, um bate papo entre amigos, a beber um belo gin tónico e a fumar um Epicure...
- Mas ainda pode melhorar...
- Melhorar, não estou a ver como... Só se aparecessem por aqui aquelas 2 romenas do outro dia no trombinhas... Lembras-te?
- Estás a ver como sabes? Façam favor de entrar a Tatiana e a Natascha!! Uma salva de palmas...
- Epá, Tragus, não acredito... Como é que as conseguiste trazer até aqui?! Olá minhas queridas, como estão? Sentem-se por aqui...
- Calma, Nuno. Elas são 2, é uma para cada um... Vais ter de escolher.
- Ah.. ok. Eu fico então com a Tatiana.
- Muito bem. Então, mas estavamos a falar de quê?
- Não me lembro muito bem.
- Ora bem... Então e como é que vão as coisas lá pela assembleia?
- Por onde..?!
- Pela assembleia... S.Bento.
- Ah... Sim!! O Café de S.Bento voltou a abrir... É mesmo uma grande novidade.
- Pois, porque vocês ali à volta não tem mais nada para jantar.
- Quer dizer... Temos o XL, mas a vida não pode ser só XL, não é? E já estavamos todos com saudades daqueles bifinhos com aquela molheca...
- Claro, então e as sessões de trabalho, como é que estão a correr?
- Mal, Tragus, muito mal. É impossível trabalhar com aquela gente de esquerda... São tão enfim... de esquerda. E tem vindo a piorar nos últimos anos. A Ana Drago que antigamente até era jeitozinha, agora já está com um ar um bocado deslavado.. Já não é a mesma coisa.
- Imagino que para ti seja complicado lidar com aquela gente... Até de chamá-los de "colegas de trabalho".
- E é, Tragus. Mas graças a Deus, tudo isso está para acabar.
- Então porquê?
- Por o CDS irá apresentar uma proposta à assembleia que irá dividir o parlamento em duas casas, aliás como já se faz em muitos países europeus. Primeiro haverá a "Casa dos comuns" que como o próprio nome indica será formada por essa gente comum que são os deputados do Bloco de Esquerda, PCP e do PS; e o "Senado" que será formada pelos deputados do PSD, CDS e também do PPM.
- Então, mas porquê "Senado"?
- Ora, porque haveria de ser...?! Porque eu quero que me chamem "senador"...
- Muito bem. Então e qual das câmaras terá o poder legislativo?
- Não faço ideia... O Senado, eu estava a pensar transformar aquilo num Restaurante e num Health Club, não sei se teremos muito tempo para legislar seja o que for...
- Então e só está aberto a deputados?
- Claro que não, estará aberto a toda a gente decente. Faremos grandes festas temáticas e teremos um piano bar no nosso Senator Lounge.
- "Senator Lounge", isso parece nome de business lounge do aeroporto de Frankfurt...
- Isso não interessa, o importante é que terá um ambiente seleccionado, sem essas gente manhosa do BE e do PCP.
- ´Muito bem, parece-me uma grande ideia. Então e qual o futuro do CDS?
- Do CDS?! Estou-me a borrifar para o CDS, eu quero é saber do meu futuro... Já dizia o Nash: "Se pensarmos somente no nosso bem estar, faremos aquilo que é melhor para o partido..."
- Estás a destorcer um bocadinho as palavras do Nash, mas enfim...
- Ora meu amigo, política é isso mesmo... É pôr na boca dos outros aquilo que nós queremos ouvir.
- Sim sr. Então lá nos encontraremos pelo Senator Lounge. Muito boa sorte para as próximas sessões parlamentares. Já sabes que és sempre benvido a esta casa.
- Muito obrigado. Foi um prazer estar aqui. O que é que eu faço a estas duas gajas...? Olhem querem ir conhecer o meu gabinete em S.Bento? Tenho lá um sofá fantástico...
- Senhores leitores, foi a entrevista com Nuno Melo. Obrigado pela sua preferência. Boa noite.

Bjs e abcs

Tragusbolis

Quarta-feira, Agosto 16, 2006

O novo James Bond

Aqueles que tal como eu se interessam pelas aventuras e desventuras de James Bond, esse putanheiro de renome internacional, que não se importa de dormir com inimigo pela pátria (quando o inimigo tem mais de 1 metro e 80, é do sexo feminino e tem um corpo escultural...), sabem que os produtores do filme estão em vias de contratar um escritor anónimo (ou pelo menos desconhecido do grande público internacional...) para escrever os guiões dos próximos filme do "double O seven".
O que vos vou dizer poderá ser um choque para alguns que estariam à espera que eu dissesse que o novo guionista era eu, mas não... Ao que pude apurar o novo guionista dos filmes de James Bond é também ele um bon vivan, apreciador de meninas dos 4 cantos do planeta, que nunca diz que não a um programa que envolva muita rambóia, deboche e folia.
Estão preparados? Muitos já devem ter adivinhado... O novo guionista é o Miguel Sousa Tavares.

Foi numa conversa informal com ele que soube desta notícia impressionante. Eu e o Miguel somos muito amigos e estavamos a tomar um copo num bar (cujo nome eu não vou revelar, pois o tema do post de hoje não é esse...), quando eu lhe disse:

- Miguel, já viste? Diz aqui que vão contratar um novo guionista para os filmes de James Bond.
- Não vão contratar, já contrataram...
- Já contrataram?! Mas como é que sabes isso?
- Bom... Eu tenho as minhas fontes...
- O quê? Não me digas que és tu?
- Eu?! ah ah... Claro que não... eeh... Sou. Por acaso sou. Tu já me conheces, não consigo manter uma falsa modéstia durante mais de 10 segundos.
- Aliás, tu não consegues manter qualquer tipo de modéstia por mais de 10 segundos...
- Pois... Mas é mesmo verdade. Eu sou o novo guionista dos filmes de James Bond.
- Mas que grande novidade. Então e já começaste a escrever?
- Sim. Escrevi um filme, mas foi rejeitado... Os produtores disseram que já era uma ideia muito vista e que não estava bem dentro do espírito de James Bond.
- Então e como é que era o filme?
- Chamava-se "007 - Missão no Equador"
- No Equador?! Tipo, na América do Sul? Com traficantes de droga, guerrilheiros revolucionários zapatistas e coisas assim?
- Não. No equador, mas em S.Tomé e Princípe.
- Em S.Tomé?!
- Sim. O James Bond passaria o filme nas roças de café em S.Tomé a ver as condições de trabalho dos trabalhadores e depois tinha que enviar um relatório promenorizado à rainha, a dizer se se tratava de trabalho escravo ou não... Mas na verdade, o 007 passaria os dias a papar nativas e no Pestana do Ilhéu das Rolas a beber caipiroskas, sem ligar pevide à sua missão... No final do filme, suicida-se com um tiro na cabeça e manda uma carta para Londres a dizer que não tinha sido bem sucedido.
- E o que é que os produtores disseram?
- Disseram que eu já tinha escrito um livro assim, que era uma patetiçe e que o James Bond não se podia suicidar no fim, uma vez que ele é uma máquina de fazer dinheiro e ainda tem que durar para mais uns 50 anos de filmes... Devem pensar que é muito fácil acabar um filme... Eu já não sabia como é que havia de acabar aquilo... Apartir de certa altura a história mais não era que um gigantesco bacanal no bungalow 312 do Hotel Pestana... Como é que acaba uma coisa destas?! Só havia uma saída fácil... Era ele dar tiro na cabeça. Pareceu-me o mais lógico.
- Também acho. E então como é que isso ficou?
- Ficou que deitei tudo para o lixo e escrevi outro filme...
- Bolas. Tu não páras... A esse ritmo, até o James Bond podia deixar de ser um filme e passar a ser uma série de televisão tipo Morangos com Açúcar a transmitir de manhã à noite em 3 ou 4 episódios diários...
- Não é má ideia, tragus. Hei-de sugerir isso aos produtores...
- Sim. Mas conta lá então do novo filme.
- Ah... Pois. O novo filme vai ser um espectáculo e este sim, fiel ao espírito dos filmes de James Bond. Ainda não tem nome, mas tenho a certeza que será um sucesso. Passa-se no Alentejo no mês de Setembro.
- No Alentejo?!
- Sim... A primeira cena do filme é o James Bond a conduzir um Range Rover topo de gama a caminho da sua herdade em Serpa, por uma estrada de terra batida. De repente, vindo do nada aparece um Toyota Landcruiser todo artilhado e começam-se os dois a picar numa cena de perseguição à antiga... Ao fim de uns 10kms a alta velocidade pelo meio do concelho de Sousel, faz uma manobra mais apertada e o Toyota não se consegue desviar de um sobreiro embatendo contra ele com extrema violência, explodindo em seguida... É aí que começa a musiquinha catita da introdução (que desta vez vai o "Pássaros do Sul" da Mafalda Veiga)e entram aquelas imagens a preto e a azul com gajas a rodar e a cairem dentro de copos de martini. É o grande início de filme, não é?
- Bem... Miguel, isso é electrizante. Mas qual é a história?
- A história é inacreditável. James Bond tinha acabado de retirar das lides de espião e comprou uma herdade em Serpa onde planeava produzir vinho. Só que perdeu aquele ar britânico, deixou crescer as patilhas e adoptou um look mais castiço...
- Diz-me só uma coisa, quem é que vai o actor?
- Pois... Em princípio sou eu. Mas no caso de eu não poder (como sabes sou uma pessoa muito ocupada...), aí entra o Joaquim de Almeida.
- Sim, sr. Não conseguia imaginar ninguém melhor para o papel... Então e o resto?
- Pronto. A vida do James está a correr bem, já tem grande parte das videiras plantadas, este ano ainda não irá ter produção vinícola, mas se tudo correr bem para o ano já produzirá um vinho de excelente qualidade. Entretanto enquanto as vinhas crescem, aproveita para fazer um roteiro gastronómico pela região, vai almoçar ao Fialho a Évora, ao Luar de Janeiro, dá um salto à Bolota Castanha em Vila Viçosa, e em todos esses sítios abandona a sua velha frase do "Martini. Shaken not stirred", para passar a dizer: "Um copo de tinto... Reserva."
Tudo corria bem, se não fossem os malévolos planos do Dr. Casimiro, um grande produtor de vinho da região de Borba, que pretende atemorizar todos os pequenos produtores de vinho da região do Alentejo com a ajuda de um exército de capangas, para ficar com o monopólio da produção de vinho a sul do Tejo.
James Bond não está pelos ajustes e dá cabo deles todos em cenas de pugilato inacreditáveis. Há uma cena que penso que se tornará uma das imagens mais fortes do cinema mundial em que o James Bond e o Dr. Casimiro se defrontam ao pôr do sol no Templo de Diana em Évora, enquanto por trás se escuta: "Pássaros do Sul, bando de asas soltas, trazem melodias pra cantar à moças... em noites de romaria."
- É fantástico. Então e como é que acaba?
- No fim o Dr. Casimiro é preso pela PJ num processo de evasão fiscal e o James Bond volta para a sua herdade de Serpa. A última cena do filme é o James Bond a andar a pé pelo meio de um campo de trigo ao pé de Moura (assim tipo aquela cena do Gladiador a chegar a casa, a passar a mão nas cearas...), enquanto o sol vai desaparecendo ecomeça a tocar a música do final do filme (também da Mafalda Veiga)


Geme o restolho, triste e solitário
a embalar a noite escura e fria
e a perder-se no olhar da ventania
que canta ao tom do velho campanário


Geme o restolho, preso de saudade
esquecido, enlouquecido, dominado
escondido entre as sombras do montado
sem forças e sem cor e sem vontade


Geme o restolho, a transpirar de chuva
nos campos que a ceifeira mutilou
dormindo em velhos sonhos que sonhou
na alma a mágoa enorme, intensa, aguda


Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar para aprender a viver

e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
prá receber daquilo que aumenta o coração


Geme o restolho, a transpirar de chuva
nos campos que a ceifeira mutilou
dormindo em velhos sonhos que sonhou
na alma a mágoa enorme, intensa, aguda


Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar para aprender a viver
e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
prá receber daquilo que aumenta o coração


Beijos e abcs do vosso

Tragusbolis

Segunda-feira, Julho 24, 2006

Quando eu me divorciar...

Enquanto esperam mais algum tempo pelo último episódio das minhas aventuras em África, aumentando assim o suspense em relação ao que irá acontecer ao pobre do D. Duarte, decidi que era chegada a hora de voltar ao contacto directo com vós leitores, sedentos por novos conhecimentos que eu Tragusbolis vos transmito com todo o meu saber e experiência adquirida ao longo destes largos anos que levo como putanheiro de renome internacional...

Pois bem, hoje quero partilhar convosco, algo que me tem andado a tirar o sono ultimamente... Neste momento estão já vocês a pensar: "Tragus, não me digas que o conflito entre o Israel e o Líbano te anda a tirar o sono...?". Claro que não. Como diz um grande amigo meu: "Com o mal dos outros posso eu bem" e se lhe juntarmos ainda uma das minhas expressões favoritas "o que os não olhos veem, o coração não sente.", digamos que para mim o conflito do médio oriente encontra-se neste momento na minha lista de preocupações ex aequo com o cartaz de artistas da festa do avante deste ano, que é como quem diz: "estou-me a borrifar. Eles que se matem uns aos outros e não me chateeim" - o mesmo é válido para as pessoas que vão à festa do avante.

O que realmente me tem tirado o sono é a quantidade absurda de convites para casamentos que tenho recebido nos últimos tempos... Então mas está tudo a casar-se?! Já há uns tempos tinha manifestado para convosco a minha preocupação a quando do casamento do meu grande amigo e companheiro de Trombinhas, José Luís Arnauth, mas isso tratava-se de uma coisa exporádica, até porque provavelmente por esta hora ele até já deve ter as malas à porta, pronto para voltar a uma vida de deboche e de folia, vida essa onde deixou saudades e onde será sempre recebido de braços abertos.
Mas cheguei a uma altura da minha vida em que cada vez mais amigos meus, sejam eles mais ou menos putanheiros (porque putanheiros somos todos, uns mais, outros menos... mas no fundo é uma característica que nasce já com todos os homens latinos), estão a casar. E isto preocupa-me.
Como pode alguém no seu perfeito juízo assinar tão novo um contrato de exclusividade com uma mulher, quando existe toda uma panóplia variada de profissionais disponíveis nos melhores estabelecimentos nocturnos da capital, prontas para satisfazer os mais exigentes. E devo avisar-vos desde já que a colheita deste anos está bastante boa (sem dúvida devido ao tempo seco que fez este inverno). Digo-vos já, na minha qualidade de enológo da putaria, que as Elefante Branco 2006, casta de leste, são de uma qualidade só comparável às (já lendárias...) brasileiras de 1994 que passaram pelo Diamante Negro em Amarante, embora no caso destas últimas os aromas terciários estejam mais presentes, sem dúvida devido a terem sido transportadas do Brasil para cá em pipas de carvalho francês que as deixaram respirar, tornando-as assim em pêgas mais frutadas, com um ligeiro travo a chocolate, que era na altura bastante apreciado. Já em termos de adstringência e de "fim de boca", as Elefante Branco 2006, casta de leste, são sem dúvida muito superiores, pois tratam-se de mulheres europeias e como tal, mais sofisticadas, ou seja, mais em consonância com a casa onde trabalham.

Mas voltemos ao tema casamentos. O que será que está a levar para esse infâme mundo da vida de casado, cada vez mais e mais amigos meus, amigos com os quais passei grandes momentos de folia em estabelecimentos que ainda hoje são míticos, amigos esses que através dos seus conhecimentos e dos seus gostos exigentes no que toca a mulheres de qualidade superior, me ajudaram também a mim a crescer enquanto apreciador incondicional de putedo fino e a ser o connaisseur reconhecido internacionalmente que hoje sou e do qual me orgulho de ser?
Será pelo dinheiro? Será que todos eles estão a dar o golpe do baú? Será pela necessidade de ter uma mulher fixa e uma relação duradoura? Será que pensam ficar casados muito tempo, ou assim que o investimento esteja praticamente amortizado as vendem pelo seu valor residual e adquirem novo material aproveitando a última fase dos fundos comunitários?
E acima de tudo a dúvida que me tem assombrado e que não me tem deixado dormir: "Então e eu? Será que também está a chegar a altura de me casar?"

Este post até parece uma versão masculina do Sex and the city. Sim, porque o verdadeiro machalhão gosta de vez em quando de ver essa série de deboche, em que 4 porquitas trintonas se entretem a papar metade dos homens de Nova Iorque. Só um grandecíssimo panasca é que se recusaria a perder 30 minutos a sua vida para ver a badalhoca da Samantha nas suas aventuras com marinheiros, trolhas etc., para ver a Charlotte, que para além de ter nome de sobremesa é também possuidora de uns atributos bastante consideráveis e acima de tudo para ver o Mr. Big, que é como um pai para mim, pois representa tudo aquilo que eu um dia gostaria de ser e de que estou certo que com esforço e dedicação, um dia chegaria ao seu patamar.

Mas isto de casamentos tem muito que se lhe diga. Eu desde pequeno que digo que gostava de me divorciar cedo. Ora, para me poder divorciar cedo, tenho primeiro de me casar cedo.
Mas perguntam vocês: "Tragus, mas porque é que te queres divorciar? Para isso mais vale não casares e ficares solteiro..."

Não tem nada a ver. Solteiro e divorciado não é a mesma coisa. É um questão de status. Reparem: imaginem que estão no T-Clube da Quinta do Lago, encostados ao balcão a tomar um copo. Uma noite de Agosto, festa do Champagne, o "Fade" a tocar, as tias e os tios a dançar de copinho na mão... e vem ter convosco uma trintona espanpanante, louraça, bronzeada por aquele sol da Quinta do Lago e pelos almoços no Gigi e vos diz: "Olá, viva. Por aqui sozinho? Então e a sua esposa?", "Não sou casado...", "O quê?! Não me diga que um sujeito como você é solteiro...?!", "Claro que não. Divorciado.", "Oh...!!"

Estão a entender a diferença? Não tem nada a ver... Ser divorciado é uma questão de classe, pois deixa nas mulheres aquela sensação de bon vivan, que não foi capaz de aguentar por muito tempo a pressão de ter uma só mulher e que está sempre pronto para uma boa noite de regabofe descomprometido.

É sucesso garantido com as mulheres mais sofisticadas, especialmente as trintonas, que no fundo são as que todos nós queremos. Eu estou perfeitamente convencido que para os homens a vida começa aos 40 e para as mulheres acaba aos 35.
Aliás, quem quiser constatar esse facto, basta ir ao BBC às 6f à noite, às festas "Time Goes Back", onde podem encontrar trintonas malucas à procura do seu divorciado de sonho.

Mal posso esperar por ver no meu BI, o estado civil DIV., que no fundo é como o soldado que passou à reserva, mas que em caso de "conflito" está sempre pronto para voltar ao activo, já com mais experiência e acima de tudo com outro estatuto para com o "inimigo".

Meus amigos, a mensagem que hoje vos quero passar é que o casamento é uma coisa séria. É um passo importante que vão dar na vossa vida. Para aqueles que se vão casar, peço que olhem para dentro e perguntem a vocês mesmos: "É realmente esta a mulher de quem me quero divorciar daqui a 2 anos e a quem quero pagar uma pensão de alimentos?"
Não devem tomar esta decisão de animo leve, pois aquela com se vão casar agora, irá ser conhecida no futuro como a vossa ex-mulher, se calhar até mesmo mãe dos vossos filhos e daqui a uns 18 anitos, a porta de acesso às amigas das vossas filhas.

Por isso meus amigos, pensem bem no que vão fazer e convidem sempre para o vosso casamento, um bom advogado.


Beijos e abraços do vosso

Tragusbolis

Terça-feira, Julho 18, 2006

De Angola à contracosta (1961) - episódio VII

Não foi fácil abrir o portão, com os anos as dobradiças enferrugaram e quase não rodavam, só consegui entrar ao fim de um bom par de minutos a tentar arrombar aquilo e depois de uma chinfrineira incrível (mais parecia que estava a matar um porco e não a abrir um portão...)

Depois de algum esforço, lá consegui entrar dentro das instalações. Qual não foi o meu espanto quando me deparei não com um túnel, mas sim com uma enorme escavação a céu aberto. Era um buraco enorme, com uma forma pirâmidal invertida, feito de enormes socalcos como se fosse uma imensa plantação de vinhas do Douro. Assim a olho, a escavação devia ser profunda o suficiente para caber uma torre Eiffel ou então (sendo um pouco mais patriótico...), 2 ou 3 cristos-rei, como aquele que estão a construir em Almada, junto aos terrenos da futura ponte sobre o Tejo, que deverá estar concluída lá para 1969 e que terá justamente o nome de Oliveira Salazar.
Mas para além de toda esta magnificência da escavação, tudo parecia estar abandonado há vários anos. Foi então que reparei num cartaz que estava à entrada de um edifício que provavelmente seria os escritórios da administração. O cartaz dizia "Olsen & Sons, Bauxite Mine".
Desta vez tinha a certeza, o José Eduardo dos Santos tinha sido mesmo enganado. E ainda mais ao engano vim eu, que a esta hora podia estar já em Lourenço Marques, não fosse este estúpido desvio.

Achei por bem (e até por um descargo de consciência...), entrar nos escritórios da administração e averiguar um pouco mais este assunto.
Lá dentro, tudo estava empoirado, como se eu fosse a primeira pessoa a entrar naquele local há muitas décadas, mas apesar de tudo, as coisas estavam mais ou menos organizadas, as cadeiras e as mesas continuavam no seu sítio, os quadros com gráficos da produção continuavam nas paredes, até a papelada relativas à contabilidade da empresa permanecia religiosamente pousada em cima das secretárias, como se o tempo por ali tivesse parado e a actividade estivesse para ser retomada a qualquer momento.
Dirigi-me a um dos gráficos de produção que se encontrava pendurado numa das paredes da sala. Foi então que vi que a mina estava inactiva desde 1931. Provavelmente mais uma consequência da crise económica de 29, que se espalhou pelo mundo e chegou até aqui a este recanto recôndido de África.
Nada mais havia para fazer aqui senão ir embora. Deixei tudo quanto estava no local, tirei uma série de fotografias para posteriormente enviar ao José Eduardo dos Santos para lhe mostrar que a mina de diamantes não passava de um embuste, bem como o dossier do Relatório e Contas relativo ao último ano de actividade e sai do edifício.
Olhei uma última vez para o enorme buraco que estava lá fora e não deixei de sentir um arrepio na espinha, pelo silêncio sinistro do local, que parecia ter muito para contar e ainda mais para esconder.

Nunca gostei destes sítios abandonados, penso sempre nas pessoas que lá viveram e muito provavelmente nas que lá morreram. Quanto corpos de mineiros estarão aqui soterrados, quem seriam essas pessoas, será que ainda permancem por aqui? Apesar de todo o silêncio que era palpável, juro que sentia também, embora distante, murmúrios que me pareciam de gente e o chiar das rodas dos vagões carregados com bauxite a deslizar pelos carris de ferro que já nem sequer existiam. Não tive coragem de continuar a olhar e dirigi-me em passo acelerado para a porta, com intenção de arrancar o mais depressa possível deste lugar.

- D. Duarte ponha a carrinha a trabalhar, vamos embora. - gritei eu ainda à saída do portão.

Mas a carrinha continuou parada, nem sinal de começar a trabalhar. "Adormeceu", - pensei eu. Com a ressaca com que ele deve estar, o mais provável era ter pegado no sono.

- Ó sr. D. Duarte, acorde, vamos embora!!

Nada... Começei então a correr para a carrinha, por esta altura já me atravessava um estranho presentimento.

- D. Duarte!! Ó sr. D. Duarte!! - gritei eu enquanto corria.

Abri a porta da carrinha. Mas lá dentro nada... Estava completamente vazia. O D. Duarte tinha simplesmente desaparecido.


(continua)

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